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Tuesday, January 27, 2009


Um 2009 de muitos sonhos

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Saudemos o ano novo, apesar de todos os pesares. Não é só porque a natureza nos deu uma boa lição que não devemos nos felicitar com as novas chances de um ciclo que acabou de começar. É verdade que a grande BH está tristemente abalada por todas as enchentes as quais fomos testemunhas, no findar do ano. Mas quem sabe essa também não seja uma boa oportunidade para mudar?

Talvez seja o melhor momento para aprendermos a respeitar o ecossistema e entender que nossas ações têm consequência. Precisamos nos educar a tomar atitudes "verdes". Não jogar lixo nas ruas, fazer coleta seletiva, usar ecobags no lugar de sacolas descartáveis, plantar uma árvore (ou um jardim inteiro) no quintal de casa, dar preferência a produtos biodegradáveis. São detalhes que fazem a diferença.

Além de alimentar a idéia de sustentabilidade, o ano novo nos dá a oportunidade de fazer algo que não nos ocorre sempre: ajudar o próximo. A chuva fez mais de 30 vítimas e desalojou um número superior a 320 famílias. Em algumas regiões, o nível da água atingiu 5m de altura. Muitos perderam roupas, mantimentos, eletros-domésticos e dependem de algum auxílio para recomeçarem

Pode parecer piegas pensar que o ano novo é a melhor ocasião para recomeçar, fazer um balanço, mas se funcionar para você, melhor não escapar dessa rotina. Ainda que seja aquela lista de sempre: se você for mulher, perder 2kg, se você for homem, trocar de carro. Fazer essa lista significa se permitir sonhar e reconhecer a necessidade de ser melhor.

Não é a toa que o começo do ano vem cheio de novidades em vários âmbitos. Novos prefeitos no Brasil, novo presidente nos Estados Unidos, novas políticas econômicas e sociais. Por aqui, o ano começou com cortes e o medo de uma crise desconhecida, mas famigerada. Por lá, onde a crise é bem real, o ano começa com a esperança de que o novo homem da Casa Branca intervenha na economia e acabe com o pesadelo, se for possível.

De esperança em esperança, começa-se a construir um novo ano na história. Um ano como todos os outros, com nascimentos, casamentos, descobertas e muito trabalho. Um ano diferente de todos, dependendo de suas decisões, posições e consciência. Que seja um ano repleto de sonhos e de realizações, mas que seja também um ano em que o que realmente é importante se torne cada vez mais claro para nós.

Publicado na Tribuna de Contagem em Jan/2009.

Thursday, November 27, 2008


Saúde feminina: um direito nem sempre garantido

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Um avanço significativo ao que se refere à saúde feminina está acontecendo no país e no mundo. Ao final de mais de quinze anos de testes, foram aprovados e distribuídos os primeiros lotes da vacina contra o HPV. O vírus é sexualmente transmissível e responsável por 70% dos casos de câncer de colo de útero no Brasil. O HPV atinge 20 mil mulheres por ano, em nosso país, enquanto o diagnóstico de câncer no colo do útero é positivo em 19 mil brasileiras, anualmente.

Como a vacina ainda não faz parte do conjunto de medicamentos assegurados pelo SUS, essa prevenção custa caro. Disponível apenas no sistema privado de saúde, a vacina tem preço médio de R$ 477,80, mas são necessárias três doses para que seu efeito seja pleno. Existem projetos para que ela chegue aos postos de saúde gratuitamente, mas antes que isso aconteça, há ainda o que se debater.

A idade inicial para imunização contra HPV tem sido um dos principais motivos de discussão. Especialistas recomendam que meninas a partir dos nove anos recebam as doses, pois é essencial que não se tenha nenhum contato anterior com vírus no momento da vacina. Vale ressaltar que o tratamento tem eficácia de 100% nas inoculadas. No entanto, instituições religiosas e frentes conservadoras acreditam que a vacinação é, na realidade, um estímulo ao início prematuro de vida sexual.

Existem várias razões que nos fazem crer que a luta pela popularização da vacina contra HPV deve existir, ainda que para tanto seja necessário quebrar paradigmas e costumes tradicionalistas. As mulheres já são habituadas a lutar por liberdade e igualdade desde a década de 70, mas agora são convidas a lutar por sua saúde, embora esse seja um direito garantido pela nossa constituição. 

Publicado em Tribuna de Contagem em Ago/2008.